Estamos caminhando para a velhice. A velhice do corpo, não necessariamente
da alma, e nesse trajeto precisamos plantar bons frutos, porque isso vai contar
muito daqui para frente. É fácil observar que os pais tornam-se filhos e os
filhos tornam-se pais, que a textura da pele não é mais a mesma ao longo dos
anos, que o fôlego diminui e o corpo cansa mais rápido, as feições mudam
depressa... Com o tempo você prioriza outras coisas, como uma boa companhia,
jogar conversa fora durante horas, valoriza muito mais o carinho, o sorriso, e
o abraço. Tudo vai mudando, pessoas vão chegando, outras vão saindo, poucas
irão permanecer ao nosso lado, saiba disso o quanto antes. E as que irão ficar,
são as que Deus separou para nós. Sei que iremos sentir saudades de muitas
coisas, vamos nos arrepender por outras, vamos continuar aprendendo, ensinando,
e sentindo sempre a necessidade do amor. De amar e ser amado. Isso a gente
carrega dentro por toda vida. Se as pessoas se importassem mais em cultivar,
cuidar, dessa forma seria muito mais fácil o caminho. A velhice seria muito
mais leve e alegre. Mas muitos não se importam com isso, se importam apenas com
o agora, com a curtição do momento, com o hoje. Talvez seja por que isso que
torna-se cada vez mais comum as separações, a carência, solidão. Pessoas que
estão chegando na velhice frustradas, amargas, sozinhas e vazias. Essas, que
pensaram muito no agora, a vida toda, porém, esqueceram-se do depois, e só se
lembraram disso na velhice. Não souberem cultivar o coração das pessoas,
continuam sozinhas, e perdidas de si mesmo.
Ana Gabriela Nunes.

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